sexta-feira, 11 de abril de 2014

Giro Pelo Vale - Itinga quer rapidez em investigação sobre atentado na Escola Família Agrícola

Foto: Ricardo Barbosa
Autoridades e convidados cobraram, em audiência pública, celeridade nas investigações e nas punições em relação a um atentado contra coordenadores da Escola Família Agrícola de Jacaré, em Itinga (Vale do Jequitinhonha). O crime ocorreu em 1º de abril de 2013. A reunião, nesta sexta-feira (11/4/14), no próprio município, foi promovida pelas Comissões de Direitos Humanos e de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Os presidentes das duas comissões, deputados Durval Ângelo (PT) e André Quintão (PT), respectivamente, estiveram presentes. A reunião foi solicitada pelo deputado André Quintão e contou com grande presença da comunidade, de estudantes e membros de escolas agrícolas.
Os coordenadores da Escola Família Agrícola de Jacaré, Adair da Silva Santos e Noessandro Gonçalves Freire, que atualmente estão afastados da comunidade, relataram que, na noite do atentado, às 20h10, um homem de moto e com capacete disparou um tiro de espingarda contra eles. Ambos estavam no pátio central da instituição e foram atingidos nas costas, sofrendo perfuração perto da clavícula. Após a tentativa de homicídio, eles foram incluídos no Programa de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos e também têm sido acompanhados pelo Núcleo de Atendimento a Vitimas de Crimes Violentos. Atualmente eles se recuperam fisicamente dos ferimentos.
Para Noessandro, que trabalha há 13 anos na escola, não há dúvidas de que o crime ocorreu por motivação política. “Na época, passávamos por um momento de mudança de representantes do poder público municipal e também da diretoria da associação que coordena nossa escola”, disse. Segundo o educador, o atentado foi uma “tentativa de impor nomes” para preencher os cargos que ele e Adair ocupavam. “A escola é um prato cheio para troca de favores políticos. Querem fazer do local um espaço para benefícios próprios”, afirmou.
A outra vítima do atentado, Adair da Silva Santos, também deu o seu depoimento durante a audiência pública. Ele contou que trabalha há 16 anos na Escola Família Agrícola de Jacaré. “Acreditamos nesse projeto que dá educação de qualidade aos filhos dos produtores da agricultura familiar”, pontuou. Segundo ele, o crime afetou os familiares de alunos, a comunidade, todos os movimentos sociais, a educação de Minas e do Brasil.
Adair disse, no entanto, que perdoa as pessoas envolvidas no atentado. Mas ressaltou que está abalado psicologicamente com o fato. “Fiquei 20 dias sem querer me comunicar com ninguém. Meu sonho é voltar à escola e rever os alunos, mas não posso por questão de segurança. É triste”, acrescentou. Ele ainda falou que não consegue esquecer “o choro dos alunos” e as lembranças do ferimento que teve no momento do crime. Minutos após sua fala, o educador passou mal e precisou ser levado a um hospital da cidade.
Coronelismo - O secretário executivo da Associação Mineira das Escolas Família Agrícola, Idalino Firmino dos Santos, também pediu uma resposta ao atentado. “Ainda há no Vale do Jequitinhonha o coronelismo e os grupos políticos que fazem tudo pelo poder”, criticou. Segundo ele, todos da comunidade sabem quem é o responsável pelo crime, mas têm medo de falar.
Inquérito policial foi instaurado cinco meses depois do crime
Noessandro Gonçalves pediu rapidez na apuração do caso e criticou o fato de o inquérito policial ter sido instaurado somente cinco meses após o crime, bem como a falta de empenho da prefeitura no caso. “As autoridades responsáveis não criam meios para solucionar os fatos. Isso gera revolta”, ressaltou. Ele denunciou, ainda, que a prefeitura não firmou convênio com a escola agrícola neste ano, também por motivações políticas. A falta da verba estaria prejudicando o andamento das atividades.
A delegada de Polícia Civil de Araçuaí, Ana Paula Lamego, é a responsável pelas investigações. Ela disse que tomou posse há um ano e que assumiu o caso apenas em setembro. “Mas as investigações já estavam em curso”, afirmou. A delegada contou que, no começo desta semana, a unidade da Polícia Civil em Itinga, que ficou fechada por cerca de dois anos, foi reaberta. “Isso vai acelerar a conclusão do caso. Agora o município terá um reforço efetivo para ajudar na elucidação do crime”, acredita. Ela apontou o fato de ser uma “investigação complexa”, por se tratar de tentativa de homicídio, como uma outra justificativa da demora para se obter uma resposta final sobre o acontecido.
O prefeito de Itinga, Adhemar Marcos Filho, também respondeu às críticas de Noessandro Gonçalves. Ele pediu a solução do caso à polícia e disse que também quer saber quem é o mandante do crime. Disse, ainda, que Prefeitura e Câmara Municipal não negaram nenhuma assistência. Sobre os convênios, afirmou que já autorizou a Secretaria Municipal de Educação a realizar o processo. “Não serão nos valores solicitados, mas vamos fazer, sim, os convênios”, garantiu.
Ele explicou que a demora para liberação do dinheiro ocorre devido à falta de verba geral da prefeitura. O deputado Durval Ângelo, entretanto, discordou da posição do prefeito. “O dinheiro comprometido com a escola vem do Governo Federal, do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), portanto, não gera gasto nenhum para o município”, contra-argumentou.
O comandante da 15ª Região da Polícia Militar em Teófilo Otoni, Aroldo Pinheiro de Araújo, apresentou três comandantes da PM que passarão a acompanhar as investigações mais de perto e também intensificarão operações de segurança na região.
Vítimas do atentado estão privadas do convívio familiar
A coordenadora do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Crimes Violentos e responsável por acompanhar os coordenadores da escola, Gilmara Tomaz, disse que a falta de esclarecimento do atentado está privando os educadores do convívio familiar e comunitário. “Os dois envolvidos são pessoas idôneas e respeitadas pelas famílias dos jovens da escola”, ressaltou. Ela também cobrou a elucidação dos fatos.
O técnico do Programa de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos, Gildázio Alves dos Santos, disse que apenas com a conclusão do inquérito será possível avaliar qual o melhor momento do retorno das duas lideranças à comunidade e à escola. “O programa está sendo prejudicado pela falta de informação sobre quem é o mandante do crime”, pontuou.
O consultor do Ministério do Desenvolvimento Agrário, João Batista Begnani, disse que, no final das contas, “são as vítimas que estão presas”, pois não podem voltar à escola nem à comunidade devido à falta de esclarecimento do crime. “O poder público local está de fato empenhado na solução do caso?”, questionou.
Deputados pedem justiça
Para o deputado André Quintão, é preciso humanizar o tratamento às vítimas, pois o que ocorreu foi um atentado contra vidas humanas. “E é importante que a apuração evolua a partir desta reunião”, destacou. “É fundamental que a violência não fique impune, principalmente aquela praticada contra trabalhadores da área de educação, que prima pela pedagogia da alternância”, continuou. O parlamentar destacou o fato de as escolas agrícolas serem essenciais para o desenvolvimento profissional dos jovens. “A Assembleia vai acompanhar, vai atrás e vai querer saber o resultado do inquérito”, finalizou.
O deputado Durval Ângelo disse que o crime cometido não foi apenas contra Adair e Noessandro, mas contra toda a educação do Vale do Jequitinhonha e do Brasil. “A escola onde as vítimas trabalham é uma referência, reconhecida até internacionalmente”, acrescentou. “A educação é incompatível com qualquer ato de violência, e o diálogo tem que ser a base de qualquer processo educativo”, disse o parlamentar, que também é professor.
Membros da comunidade onde fica a escola se manifestaram ao final da reunião e também pediram justiça e mais agilidade na solução do caso. Todos elogiaram a participação dos coordenadores no desenvolvimento da Escola Família Agrícola de Jacaré. Disseram, ainda, que estão muito abalados psicologicamente com o acontecido. Em uma carta dos moradores entregue aos parlamentares, eles disseram que as vítimas “são pessoas dignas, honestas, que respeitam todos, têm honra, dedicação, caráter e moral”.
Os deputados afirmaram que, em breve, farão outra reunião conjunta das comissões, na sede da Assembleia, em Belo Horizonte. Na ocasião, vão aprovar uma série de requerimentos com pedidos de providência a autoridades responsáveis não apenas no Vale do Jequitinhonha, mas também em Belo Horizonte. Disseram ainda que um dos requerimentos será direcionado ao prefeito de Itinga, com o pedido de reativação do convênio municipal com a escola agrícola.
Ao final da audiência pública, os deputados Durval Ângelo e André Quintão e autoridades policiais se reuniram reservadamente para ouvir pessoas que se dispuseram a falar o que sabem e sobre suas suspeitas de quem foi mandante do crime.

 Matéria extraída do sitio da Assembleia Legislativa de Minas Gerias. -  www.almg.gov.br 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Memória Cultural - Cristaleira

CRISTALEIRA
Um móvel que surgiu na Europa, em tempos medievais, continua até hoje presente e com muita atratividade, decorando salas ou em outros ambientes.
As cristaleiras de nossas lembranças,  de madeira maciça com portas vidro e espelho ao fundo, servia para guardar aparelhos de jantar, de café, tudo aquilo que era para ocasiões especiais, quase sempre adquirido através de presentes  de casamento ou  relíquia de família.
Ainda hoje as cristaleiras simples ou clássicas possuem seu lugar de destaque e são muito charmosas, cumpre sua função de ser utilitária onde há pequenos tesouros e coisas de valor sentimental ou objetos decorativos simplesmente.
Esta cristaleira pertence a uma senhora no povoado de São João, do município de Itaobim.
Por acaso você tem um móvel deste em sua casa?  Que recordação  teria de sua cristaleira?

Por: Angela Gomes Freire - ProfessoraTurismóloga e Produtora Cultural