quarta-feira, 30 de setembro de 2015

OPINIÃO DO BLOG - A culpa é do outro



Certo dia recebi uma cartinha, de uma ouvinte do meu programa espaço cultural, no qual apresento nas manhas de domingo na Radio Comunitária Cultura FM. Pois bem nesta cartinha a ouvinte me diz que se chama fulana de tal e que tem 26 anos e que mora na zona rural, me elogiou pelo programa e pelas musicas regionais que se toca em nossa programa, mas ela diz:  esta carta não tem a intensão apenas de elogiar o seu programa, esta carta é para compartilhar com você as minhas angustias, e assim ela começa, " Certo dia ouvindo seu programa ouvi uma bela mensagem, uma daqueles que você sempre lê ao iniciar seu programa, pois bem a mensagem narrava a historia de três pessoas que estavam em um barco, mas o barco furou em uma das pontas e uma das pessoas começou a tirar a água, enquanto da outra ponta um conversava com o outro  - Não devíamos ajuda-lo a tirar a água? e outro debochando disse: Não! a água esta entrando no lado dele.", pois bem continuou ela mas se eles estavam todos no mesmo barco com certeza se a pessoa que se esforçava cansasse o barco iria afundar com todos dentro. e assim é em nossa comunidade, muitas vezes deixamos de fazer algo coletivo por acreditar que o problema não é nosso, queremos a solução do problema , mas não quero ajudar a soluciona-lo, e assim ela finalizou a carta, talvez as suas mensagens chega ao ouvido de um ouvinte e outro e vai embora, mas para alguns ela terá grande importância!
Pois assim em tempos de crises me recorri esta reflexão feita por uma mulher, um mulher guerreira tão comum no Jequitinhonha, para que nos cidadãos possamos pensar um pouco mais sobre tantas coisas erradas que acontecem no mundo, em nosso país, em nosso estado , em nossa cidade, e ai me pergunto até quando vamos achar que a água que entra no barco é de responsabilidade do outro, precisamos sair do nosso estado de hibernação  e fazer a nossa parte, por mais pequena que seja ela fará a diferença, pense nisso, ou você vai querer afundar sem fazer nada?


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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

MEMÓRIA CULTURAL - Chafariz

Foto: Internet- meramente ilustrativa
E depois de 08 dias sem água nas torneiras de minha querida Itinga, tivemos de voltar a nostalgia de lavar as vasilhas , tomar banho e pegar os baldes com água no velho e sempre protetor Jequitinhonha.  E no decorrer desta nostalgia, veio a lembrança de um velho conhecido do povo de Itinga, pelo menos para aqueles que não tinham água encanada em casa o “ chafariz” da avenida Santa Cruz, na minha lembrança de infância ele ficava no meio avenida na divisão da subida e decida, lembro das filas para se pegar a água, das discussões para ver quem chegou primeiro,  para nós a criançada tudo era diversão,  o simples fato de ver a água saindo na torneira do chafariz me encantava e  com certeza todas as crianças, tempo  que não volta mais, mas que fica na memória, onde a coletividade tinha na pratica sua existência, um chafariz reunia pessoas por suas necessidades de ter água em casa, mas este mesmo chafariz fazia com que as pessoas estivessem juntas, e entre um pote e outro de água,  se tinha aquele dedo de prosa, se sabia como estava a família, colocava-se as noticias em dias e no vai e vem de potes e latas o chafariz, era o elo de ligar pessoas através da benção divina chamada ÁGUA. 


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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

SEXTA LITERÁRIA - Quando For a Última Gota , de Herena Reis Barcelos

(...) Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.







                              
      QUANDO FOR A ÚLTIMA GOTA

Autora: Herena Reis Barcelos


Chico era um poço por um triz.

Por um tempo bebi de sua água. Por um tempo, muito. Muita água em pouco tempo, a gente até escorre. Quando eu escorria, molhava sem querer e tudo. A água me era boa ainda assim. Nutria.

Mas isso é de Chico.

Era bonito. De água azul, achavam que de tão limpa. Depois viram que não. Era poço intenso, e intenso de poço é profundidade, que se perdia de vista e não se via o fundo. Mas depois se viu.

Chico era de pedra, e azul fluido. Azul do jeito que você quiser. Azul bonito. Não era de pedra por ser duro. Ficou até duro depois, afora o cinza. Não era azul por ser limpo, porque sujou e era azul ainda. Nem era azul por ser fundo. Era cinza e azul. Todo poço e todo mundo é um pouco cinza, um pouco azul, eu acho. Mas têm outras cores também, não Chico.

Chico era um poço feliz.

Mais porque todo poço nasce mais pra feliz mesmo. A felicidade até foi secando. Embora tivesse água. É que Chico não via. Não que a água fosse a felicidade. A água, a desse poço era Chico, e Chico podia ser feliz. Embora fosse cessando.

Chico era um poço juiz.

Desses que julgam mal. Não sei se julgar pode ser bom. Porque limita a verdade. Sei que de Chico, depois de já ter sido na vida todo ofertado, de sua água, nem tudo bebia. Ou bebia só de gota. Chico parou de se dar, e ia achando que a água acumulava, porque se sentia cheio.

Mas, e porque, Chico era poço aprendiz.

Pouco que se dava, muito recebia. E as pessoas podem ser más, embora não precisem, não devam e não tenham nascido pra tal. Algumas eram más com Chico, mesmo que com outros fossem boas, mesmo que outrora fossem boas. Ou mesmo tentando ser. E Chico não descartava, e porque nem sabia. Depois sabia em partes e era pouco.

No começo Chico achava que tinha que guardar o que estava posto ou jogado lá dentro. Alguns jogavam goela abaixo, do que Chico nem queria. Ele até aprendeu que podia jogar, mas não conseguia tudo. E não sei qual o processo para se distinguir o que se joga. Ma não era Chico quem definia, não sempre. Na verdade, só umas vezes.

Chico era poço petiz.

Ser menino não é ruim, antes é bom. Porque tem inocência e inocência dói menos. Mas difícil é passar de menino a crescido, sendo julgador e principiante.

Chico acumulava umas coisas que não eram gota. Entulho, do que não servia, pelo menos pra ele. E entulho não serve para nada, só para ocupar.

Era mais de ignorar mesmo. Na verdade Chico era a água que dava e quanto menos dava menos era. Quanto menos era, menos água. Mas é que Chico era poço e nem sabia.

Porque se soubesse, se alguém lhe dissesse, ele parava de guardar entulho, que lhe enfiaram, que lhe ocupava, para ter espaço pra água. E a água não ficar na beira, pra ter espaço de se caber.


Chico acha que está quase transbordando. Por uma gota. Na verdade Chico, você está na iminência de secar.


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terça-feira, 22 de setembro de 2015

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

MEMÓRIA CULTURAL - A Gameleira

Pé de Gameleira, foto Ilustrativa - Internet
                                                                            Quem nunca ao passar pela estrada de chão indo de Itinga ao sentido, Água Fria, Itinguinha, Corrente, Ponte do Pasmado e outras tantas comunidades, não parava por alguns minutos para deliciar a sua sombra, esperando recuperar as energias para seguir a viagem?,quem nunca sentou-se em sua raízes para tomar um pouco da garapa buscada do alambique? quem nunca deixou o feixe de lenha encostando em seu tronco enquanto se  descansava?  quem nunca chupou uma manga debaixo de copa dela? quem nunca apeou o cavalo para descansar, o homem e o animal,? quem nunca em cima de seus galhos observou o Rio Jequitinhonha?  É tudo no passado, a grande gameleira nessa estrada era mais que uma árvore no meio do caminho, era uma parada obrigatória no meio do caminho, um lugar para descanso, uma diversão para a criançada, um lugarzinho de sombra fresca, criada pelo pai para aliviar um pouco a caminhada de quem ali passava.
            Pois é hoje dia da árvore, me veio a lembrança de nossa gameleira, um simbolo de Itinga, no qual hoje é apenas memória, porque memória? porque a raça humana ainda acredita que destruir é o caminho do progresso, e a nossa gameleira foi queimada e derrubada ficando apenas as lembranças dos meus dias de criança, que junto com outras crianças se davam as mãos para em uma inocência infantil dar uma abraço apertado na grande GAMELEIRA.


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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

SEXTA LITERÁRIA - Minha Viola - Patativa do Assaré

















MINHA VIOLA
Patativa do Assaré


Minha viola querida,
Certa vez, na minha vida,
De alma triste e dolorida
Resolvi te abandonar.
Porém, sem as notas belas
De tuas cordas singelas,
Vi meu fardo de mazelas
Cada vez mais aumentar.

Vaguei sem achar encosto,
Correu-me o pranto no rosto,
O pesadelo, o desgosto,
E outros martírios sem fim
Me faziam, com surpresa,
Ingratidão, aspereza,
E o fantasma da tristeza
Chorava junto de mim.

Voltei desapercebido,
Sem ilusão, sem sentido,
Humilhado e arrependido,
Para te pedir perdão,
Pois tu és a jóia santa
Que me prende, que me encanta
E aplaca a dor que quebranta
O trovador do sertão.

Sei que, com tua harmonia,
Não componho a fantasia
Da profunda poesia
Do poeta literato,
Porém, o verso na mente
Me brota constantemente,
Como as águas da nascente
Do pé da serra do Crato.

Viola, minha viola,
Minha verdadeira escola,
Que me ensina e me consola,
Neste mundo de meu Deus.
Se és a estrela do meu norte,
E o prazer da minha sorte,
Na hora da minha morte,
Como será nosso adeus?

Meu predileto instrumento,
Será grande o sofrimento,
Quando chegar o momento
De tudo se esvaicer,
Inspiração, verso e rima.
Irei viver lá em cima,
Tu ficas com tua prima,
Cá na terra, a padecer.

Porém, se na eternidade,
A gente tem liberdade
De também sentir saudade,
Será grande a minha dor,
Por saber que, nesta vida,
Minha viola querida
Há de passar constrangida
Às mãos de outro cantor.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

DIARIO DE LEITURA - Quem Precisa de Região?, de Mateus de Moraes Servilha


Sinopse


Trata-se de uma contribuição importante para um campo relativamente negligenciado nos últimos tempos dentro da disciplina geográfica: a Geografia Regional e a consequente discussão conceitual sobre a região. Muito mais do que uma discussão acadêmica, entretanto, e por fidelidade à íntima ligação do autor com a literatura (e, mais especificamente, a poesia), trata-se de um trabalho que nos projeta para o interior de uma problemática intensamente vivida: a produção e representação da "região" do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, através da ação e das falas dos diversos grupos e classes - "sujeitos", enfim - que de fato constroem o espaço em sua complexa inserção do território brasileiro e de circuitos globais que, com maior ou menor intensidade, o perpassam.





Estou a degustar a devolução em forma de livro, das pesquisas acadêmicas do amigo e Professor Mateus de Moraes Servilha, nosso companheiro de luta "Mateuzinho" uma obra literária que VALE ser apreciada, lida e sentida, o titulo interrogativo é um convite para uma analise a cerca desta nossa região tão cheia de contrastes, físicos, sociais e culturais.  uma analise acadêmica sobre o olhar poético e literário de alguém que mesmo sendo de outra região se tornou ao longo dos anos um filho deste chão chamado "Jequitinhonha"

o livro pode ser adquirido no sitio: http://www.livrariacultura.com.br

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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

DIARIO DE LEITURA - Dicionario do dialeto Rural no Vale do Jequitinhonha , da autora Carolina Antunes

Este livro apresenta resultados de uma pesquisa desenvolvida a partir de informações linguísticas, históricas, sociais e, principalmente, de um intenso conhecimento do Vale do Jequitinhonha. Por reunir o linguístico e o extralinguístico, atitudes pragmáticas, contextos e exemplificações, revela caminhos que conduzem professores, estudantes, profissionais diversos e o cidadão comum à variante rural, à Língua Portuguesa e à cultura de Minas Gerais e do Brasil. Assim sendo, o ´Dicionário do dialeto rural no Vale do Jequitinhonha´ se configura como uma amostragem da região, o que indica um dos traços mais marcantes de sua composição - dar existência escritural à fala.

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