sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

CONHECENDO O JEQUI - Os Quarteis da 7ª Divisão

OS QUARTÉIS DA 7ª DIVISÃO
No inicio do século XVII, chegou a região do Rio Grande de Belmonte, o atual Jequitinhonha Alferes Julião Fernandes, para comandar a Sétima Divisão Militar, e promover sua ocupação e iniciou o combate às tribos indígenas em busca de terras propícias às pastagens. No início do século, era intenso o comércio entre a Vila de Belmonte, na Bahia, norte de minas, em Minas Gerais, através do rio Grande de Belmonte. Para proteção contra ataques de contrabandistas e índios, o Alferes Instalou postos de vigia ao longo Rio, chamados de Quartéis. Foram instalados os Quartéis de: São Miguel – atual cidade de Jequitinhonha, da Vigia, atual Almenara – de Bonfim - atual cidade de Joaima, de Salto Grande – atual cidade do Salto da Divisa, e o de Água Branca, atual cidade Itinga.
Os Quartéis eram aquartelamento de tropas e sentinela avançada este faziam parte da 7ª Divisão Militar, sob o comando do alferes Julião Fernandes.
Sob ordens da 7ª Divisão Militar, os quartéis foram construídos ao longo das margens do Jequitinhonha, dando origem a núcleos habitacionais ribeirinhas que posteriormente tornaram-se distritos e cidades, esse quartéis que tinham como propósito defender os interesses da coroa Portuguesa, forma responsáveis também por um luta sem fim contra os povos indígenas dessa região.

PASSO A PASSO DA INSTALAÇÃO DOS QUARTÉIS DA 7ª DIVISÃO
O Príncipe  D. João, em Carta Régia de 13 de maio de 1808, enviada ao capitão-general Pedro Maria Xavier de Ataide Melo, então governador da Capitania de Minas Gerais, declarou "guerra ofensiva e justa”, visando a destruição e destribalização dos índios.

Para concretização deste intuito a própria Carta Régia determinou a instalação de seis divisões militares ao longo do rio Doce.

A colonização do rio Jequitinhonha teve um tratamento diferenciado devido às suas riquezas diamantíferas. Visando a preservação dos direitos sobre os descobrimentos, a Coroa, a partir de 1811 designou companhias de Dragões para guarnecerem a região.

A Sétima Divisão Militar, comandada pelo Alferes Julião Fernandes Leão se instalou na região em 29 de setembro de 1811 com sessenta soldados e alguns índios Maxacali do aldeamento de Lorena dos Tocoiós, fundando nas margens do rio Jequitinhonha o povoado de São Miguel (atual Jequitinhonha).

A Companhia da Sétima Divisão imediatamente iniciou o trabalho de construção de uma estrada rente à margem direita do rio, que partia do recém fundado povoado de São Miguel até a Vila de Belmonte na província baiana de Porto Seguro.[16]

A partir da construção da estrada, o Alferes Julião foi instalando quartéis ao longo do rio Jequitinhonha, embriões de futuros povoados e cidades como Itinga e Joaíma.

Conforme  sugestão do capitão-mor de Porto Seguro, o rio passou a ser utilizado para transporte de mercadorias entre Minas Novas e Belmonte.

Subiam o rio Jequitinhonha, transportados em canoas, sal e produtos raros. Belmonte recebia as produções mineiras: milho, algodão, toucinho, carne seca, dentre outros. O mencionado Quartel do Salto, instalado nas imediações da Cachoeira do Salto, assegurava esse comércio, impedindo o contrabando de ouro e diamante e os ataques dos índios.[17]

Abandonado pelos baianos em 1808, o Quartel do Salto foi ocupado pelo Alferes Julião cinco anos depois.

“A então denominada oficialmente Guerra Justa teve início efetivamente com a instalação da Sétima Divisão Militar, e teve também um aspecto fratricida, pois, como já foi mencionado, os Maxacali, além de empregados em obras públicas, na abertura de estradas, e como “interpretes ou línguas”, foram utilizados no combate aos Botocudos.”[18]                           

Sob a proteção dos quartéis iniciou-se a ocupação das matas da região. Por outro lado o governo provincial incentivou a instalação de grandes proprietários, permitindo que tivessem o monopólio na construção de estradas.

A instalação dos quartéis resultou no início do  processo de devastação da mata atlântica objetivando a utilização das terras para o plantio das lavouras e a destruição dos refúgios indígenas. Bastou menos de um século de ocupação para reduzir a cobertura vegetal a um décimo.[19]

O passo seguinte foi a completa extinção dos Botocudos e dos grupos como os Macuni, Panhame, Puri, Koropó e outros, através da destruição cultural, doenças e massacres.

Acossados, devido à destruição do seu “habitat”, os índios foram pouco a pouco se entregando à proteção dos colonos. O resultado desta submissão foi o abandono das antigas atividades como a caça e a pesca e a adoção da agricultura nos moldes impostos pelos colonos. Paralelamente, a diminuição do território aumentou as rivalidades tribais provocando guerras entre os índios, que só favoreceram aos colonos.

Apoiada nos quartéis, a colonização da região se deu inicialmente por duas vias:

Do litoral, a partir de Belmonte subiram o rio colonos comerciantes que se instalaram pelas povoações ribeirinhas. Da nascente do rio desceram garimpeiros em busca de novas minas de diamante e lavradores em busca de terra.

No fim do século XIX o Médio Baixo Jequitinhonha recebeu uma segunda leva de migrantes provenientes da Bahia e das cidades mineiras do Alto Norte: Espinosa, Taiobeiras e Salinas.




Fonte de pesquisas
Livro: Memórias de Itinga de Jô Pinto

http://proteuseducacaopatrimonial.blogspot.com.br/

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Um comentário:

  1. Bom dia Jô tudo bem,
    como encontro esse livro Memorias de Itinga.

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